Gibi Raro
     

HISTÓRIA EM QUADRINHOS É COISA DE GENTE GRANDE

Era uma vez uma criança que gostava de ler histórias em quadrinhos e sonhava em sobreviver escrevendo e desenhando suas aventuras. Assim como este personagem fictício, existem centenas de pessoas Brasil afora com o mesmo sonho. E, pela primeira vez, desponta no horizonte uma possibilidade real de se desenvolver um mercado sólido de HQs no país.

A luta pela valorização das HQs não começou hoje. Desde os anos 50 algumas associações já defendiam a criação de políticas públicas para o segmento como contrapartida para a enxurrada de publicações estrangeiras. Em 2006 um deputado do Piauí apresentou o Projeto de Lei 6.581 que estabelecia mecanismos de incentivo para produção, publicação e distribuição de revistas em quadrinhos nacionais. Entre as diversas propostas, destacava-se a criação de programas específicos por parte de bancos e agências de fomento federais, como linhas de crédito para autores independentes e financiamento para abertura de pequenas editoras.

Situada entre a literatura e as artes visuais, as HQs são hoje um importante elo da cadeia produtiva editorial, contribuindo significativamente para a chamada Economia da Cultura. Estudiosos apontam o Brasil como o 5º maior mercado consumidor do mundo. No cinema, os quadrinhos são uma fonte inesgotável de inspiração e de lucros fantásticos. O poder da narrativa gráfica também se faz presente nas escolas através das adaptações de clássicos da literatura, ainda que em sua maioria viabilizados apenas através de leis de incentivo.

Assim como a música, as HQs sofrem com a pirataria através dos scans (páginas escaneadas e disponibilizadas na internet) e o alto custo de impressão, sobretudo em álbuns de luxo, restringindo o acesso ao leitor menos favorecido economicamente. Se por um lado a tecnologia incentivou o surgimento de inúmeros sites especializados e programas de web TV, por outro existe uma utilização aquém das possibilidades da rede por parte das lojas e das editoras, poucos projetos para telefones celulares e aparelhos portáteis, e uma mera transposição do impresso pro meio digital sem aproveitamento dos recursos multimídias.

A realização do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) em Belo Horizonteque começou nesta terça-feira é uma boa oportunidade para se discutir o mercado como gente grande. Porém ainda é pouco. A maioria dos salões de humor, por exemplo, não incluem debates e oficinas em sua programação. E, fazendo uma mea culpa, os artistas ainda não participam como deveriam dos conselhos e das conferências de cultura. É hora de mudarmos essa história.

Ps - Esse artigo foi escrito na primeira semana de outubro e publicado na edição de hoje, 07/11, do Caderno B. Antes tarde do que nunca, é mais uma conquista para todos nós que gostamos de HQs como lazer ou que fizemos dela profissão.

Publicado por Pedro de Luna/RJ, no Jornal do Brasil
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